O mundo das fintechs brasileiras nunca esteve tão agitado quanto agora. Se você tem acompanhado o mercado financeiro nos últimos meses, certamente já notou um movimento interessante: empresas que nasceram aqui no Brasil estão cada vez mais interessadas em conseguir licenças e autorizações para operar fora das nossas fronteiras. Mas por que isso está acontecendo justamente agora? A resposta não é simples – na verdade, é uma mistura de fatores que vão desde mudanças regulatórias até oportunidades de negócio que estão surgindo lá fora.
A nova realidade regulatória brasileira está mudando o jogo
Vamos começar pelo básico: o cenário regulatório brasileiro está passando por transformações significativas em 2025. A partir de setembro de 2025, as financeiras brasileiras poderão atuar também como fintechs de crédito e instituições de pagamento, segundo a nova resolução aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e divulgada pelo Banco Central. Essa mudança pode parecer positiva – e de certa forma é -, mas também criou um ambiente mais competitivo.
As fintechs que antes tinham um nicho mais definido agora precisam competir não só entre si, mas também com instituições financeiras tradicionais que podem entrar no seu território. É como se o jogo tivesse mudado as regras no meio da partida. Muitas dessas empresas estão pensando: “Se vou ter que brigar mais aqui dentro, por que não expandir para mercados onde posso ter mais espaço para crescer?”
Além disso, há uma percepção crescente de que o Banco Central brasileiro, embora tenha sido pioneiro em muitas regulamentações, está se tornando mais rigoroso. Não que isso seja necessariamente ruim – afinal, regulamentação existe para proteger consumidores e manter a estabilidade do sistema financeiro. Mas para empresas que querem inovar rapidamente, às vezes pode parecer que há muitas travas burocráticas.
Um empresário do setor me contou recentemente que conseguir uma licença completa no Brasil pode levar anos, enquanto em alguns países da Europa ou nos Estados Unidos, dependendo do tipo de operação, o processo pode ser muito mais ágil. “É frustrante quando você tem uma ideia boa e precisa esperar tanto tempo para colocá-la em prática”, disse ele, pedindo para não ser identificado.
O mercado internacional está se abrindo de forma surpreendente
Por outro lado, o que está acontecendo lá fora é igualmente interessante. Vários países estão literalmente competindo para atrair fintechs estrangeiras. A Estônia, por exemplo, se tornou famosa por sua licença de e-money que permite operações em toda a União Europeia. Singapura tem programas específicos para atrair empresas de tecnologia financeira. Até países que não eram tradicionalmente conhecidos como hubs financeiros, como Portugal e Malta, estão criando regimes regulatórios atrativos.
O que isso significa na prática? Que uma fintech brasileira pode conseguir uma licença em Portugal e, teoricamente, operar em todo o mercado europeu. É como ganhar um passe livre para um shopping com 27 lojas diferentes. Faz todo sentido do mundo, não é mesmo?
E aqui entra uma questão importante: muitas dessas licenças internacionais são mais flexíveis para certos tipos de operação. Por exemplo, empresas como a Remessa Online têm se tornado a escolha preferida para quem precisa enviar ou receber dinheiro do exterior, seja para uso pessoal ou empresarial. Ter uma estrutura offshore pode facilitar muito essas operações, reduzindo custos e aumentando a velocidade das transações.
A questão tributária não pode ser ignorada
Vamos falar sobre o elefante na sala: impostos. Não é segredo que o Brasil tem uma das cargas tributárias mais complexas do mundo. Para uma fintech que está crescendo rapidamente, os custos tributários podem representar uma parcela significativa das operações. Ter uma estrutura no exterior pode, em muitos casos, otimizar essa questão de forma totalmente legal.
A legislação é clara que possuir uma offshore não é ilegal, desde que se sigam todas as normas pertinentes. As offshores devem estar devidamente declaradas no Banco Central do Brasil e na DCBE – Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior. O importante é fazer tudo dentro da lei, seguindo todas as exigências de declaração e transparência.
Para muitas empresas, especialmente aquelas que têm operações internacionais ou pretendem expandir globalmente, ter uma estrutura offshore não é apenas uma questão de otimização fiscal, mas uma necessidade operacional. Imagine uma fintech que oferece serviços de câmbio e remessas internacionais – ter contas e licenças em diferentes países pode ser fundamental para oferecer um serviço competitivo.
É aqui que serviços especializados, como os oferecidos pelo Canal Offshore, se tornam valiosos. Eles ajudam empresas a navegar por toda a complexidade de abrir e manter estruturas internacionais de forma compliance, garantindo que todas as obrigações legais sejam cumpridas tanto no Brasil quanto no exterior.
O acesso a capitais internacionais está mais atrativo
Outro fator que não pode ser subestimado é o acesso a investimentos. Especialistas apontam que, com a melhora das condições de mercado, fintechs de grande porte como PicPay, CloudWalk, Agibank e Neon despontam como candidatas a IPO assim que a “janela” nas bolsas reabrir. Mas e as empresas menores, que ainda não estão prontas para um IPO?
Para essas empresas, ter uma licença internacional pode abrir portas para fundos de investimento que preferem investir em empresas com estrutura global. Alguns investidores internacionais têm restrições para investir diretamente em empresas brasileiras, mas ficam mais confortáveis quando há uma estrutura offshore envolvida.
Além disso, ter presença internacional pode ser um diferencial competitivo na hora de levantar recursos. Um venture capital americano pode se sentir mais confiante investindo em uma fintech que já tem licenças nos EUA, mesmo que a operação principal ainda seja no Brasil.
A experiência do usuário está se tornando global
Não podemos esquecer do cliente final. Os brasileiros estão cada vez mais conectados globalmente. Trabalham para empresas estrangeiras, fazem compras internacionais, viajam mais (quando possível) e têm necessidades financeiras que ultrapassam as fronteiras nacionais.
Fintechs possibilitam os pagamentos fora do país com conversão imediata para real, como vemos com o crescimento do uso do Pix em outros países. Mas ainda há muito espaço para melhorar a experiência do usuário brasileiro no exterior.
Uma fintech que consegue oferecer uma conta que funciona perfeitamente tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, por exemplo, tem uma proposta de valor muito forte. Para conseguir isso, precisa ter licenças e parcerias nos dois países. É um investimento alto, mas que pode render frutos significativos no longo prazo.
Os desafios não são poucos
Claro que nem tudo são flores nessa história. Conseguir licenças internacionais não é barato nem simples. Os custos podem ser altos, especialmente para empresas menores. Além do investimento inicial, há os custos de manutenção, compliance, auditoria e muitas vezes a necessidade de ter equipes locais.
Também há o risco regulatório. As regras podem mudar – e mudaram muito nos últimos anos, especialmente depois de eventos como o Brexit. Uma empresa que investiu pesado para ter uma licença no Reino Unido pensando em operar na Europa pode ter tido algumas surpresas desagradáveis.
E não podemos esquecer da complexidade operacional. Gerir operações em múltiplos países, com diferentes moedas, regulamentações e culturas empresariais não é tarefa fácil. Muitas empresas subestimaram esses desafios e acabaram tendo problemas.
O papel dos prestadores de serviços especializados
É por isso que muitas fintechs estão recorrendo a prestadores de serviços especializados. Empresas como o Canal Offshore se especializaram justamente em ajudar negócios brasileiros a estabelecer estruturas internacionais de forma eficiente e compliance.
Esses serviços vão muito além de simplesmente abrir uma empresa offshore. Eles ajudam com todo o processo: desde a escolha da jurisdição mais adequada, passando pela obtenção das licenças necessárias, até o suporte contínuo para manter tudo funcionando dentro das regras.
Para uma fintech que está focada em desenvolver seu produto e atender clientes, terceirizar essa complexidade pode fazer muito sentido. É como ter um especialista cuidando de toda a parte burocrática internacional enquanto você se concentra no que sabe fazer de melhor.
O futuro parece promissor, mas requer estratégia
Olhando para o futuro, a tendência é que vejamos cada vez mais fintechs brasileiras com presença internacional. Os dados apresentados no Fintech Summit 2025 mostram que o cenário das fintechs na América Latina segue promissor, com destaque para o Brasil como hub de inovação. Isso significa que as empresas brasileiras têm potencial para exportar suas inovações.
Mas é importante fazer isso com estratégia. Não adianta sair abrindo licenças em todo lugar sem ter um plano claro de como usar essas autorizações. As empresas mais bem-sucedidas são aquelas que escolhem cuidadosamente onde querem estar presentes e por quê.
Algumas estão focando nos Estados Unidos por causa do tamanho do mercado e da comunidade brasileira lá. Outras preferem a Europa pela facilidade de conseguir um passaporte regulatório para todo o continente. Há também quem esteja olhando para países vizinhos na América Latina, onde as operações podem ser mais simples e os mercados têm necessidades similares às brasileiras.
O movimento das fintechs brasileiras em busca de licenças internacionais é natural e, em muitos aspectos, inevitável. O mundo está cada vez mais conectado, os clientes têm necessidades globais, e as empresas que conseguirem se adaptar a essa realidade provavelmente terão vantagens competitivas significativas.
Para quem está considerando esse caminho, a dica é: faça sua lição de casa. Estude bem os mercados que te interessam, entenda as implicações regulatórias e tributárias, e considere contar com ajuda especializada. Com o planejamento certo e os parceiros adequados, as oportunidades lá fora podem ser enormes.
